A vez do intérprete
Por Marcos Paulo Bin
14/01/2006
Após o retorno frustrado do RPM e a saída de Juninho do PR-5, Paulo Ricardo pode estar de volta à carreira solo. É o que indica o novo trabalho do cantor, o CD e DVD Acoustic Live (EMI), disco de covers gravado ao vivo na House of Palomino, em São Paulo.
Em clima de luau urbano, Paulo Ricardo faz releituras acústicas para clássicos do pop internacional. O repertório vai de Rod Stewart (Tonight’s the Night) a Bob Dylan (Like a Rolling Stone), passando por Bob Marley (Is This Love), Elton John (Your Song), Beatles (Something) e Rolling Stones (Honky Tonk Women). No DVD há três faixas a mais, entre elas Quiet Night of Quiet Stars (Corcovado), de Tom Jobim e Gene Lees, com participação magistral de Toquinho.
Na disco, Paulo Ricardo é acompanhado pelos demais colegas de PR-5 (Paulinho Pessoa e Jax Molina nos violões, Yann Lao no teclado e P.A. na bateria), mais dois músicos convidados (o violonista Tuco Marcondes e o baixista Fernando Nunes). Apesar disso, o trabalho leva a assinatura do cantor, não da banda.
“Neste disco não temos o Juninho e contamos com outros dois músicos. Além disso, não é um trabalho de banda, e sim de intérprete”, justifica Paulo Ricardo, que não sabe se continuará com o grupo depois que Juninho voltou para sua antiga banda, o Sonic Jr. “O PR-5 é uma fusão do som oitentista do RPM com a eletrônica e o manguebeat do Sonic Jr. Gosto de trabalhar com banda, mas precisamos ver se, conceitualmente, ainda somos o PR-5.”
Caso Acoustic Live represente mesmo a retomada da carreira solo de Paulo Ricardo, o ex-RPM promete que a nova fase será diferente da que viveu nos anos 90. Na época, ele ficou taxado de cantor brega-romântico após o grande sucesso da música Dois, parceria com Michael Sullivan.
“Não tenho problema nenhum em ser popular; cresci vendo Chacrinha, não existia MTV. Mas chegou uma hora em que encheu o saco falar de amor. Depois que gravei Imagine, parei. Eu tinha uma idéia muito utópica de integrar o Brasil. Percebi que isso é tão difícil quanto ir à Irlanda promover a paz entre católicos e protestantes”, desabafa.
Rumo ao Volume 2
Paulo Ricardo conta que os fãs pedem um disco de covers desde o estouro de London London, canção de Caetano Veloso que se tornou um dos maiores sucessos do RPM. O clipe da música é um dos extras do DVD, junto com o making of da gravação.
E foi exatamente o público que fez a idéia se concretizar. Em 2005, o fã-clube Os Sobreviventes, de Pernambuco, entregou a Paulo Ricardo um CD com músicas de terceiros que ele cantava de forma despretensiosa em shows diversos.
Esse estilo low profile caracteriza Acoustic Live. Com a formação de violões, baixo, teclado, bateria e gaita, a banda mostra-se à vontade nas releituras. Algumas músicas seguem as versões originais, como Crazy Little Thing Called Love, do Queen, a melhor faixa do disco. Outras ganharam arranjos bem diferentes, caso de Isn’t She Lovely, de Stevie Wonder, que perdeu o brilho sem o famoso solo de gaita.
“Este é um disco de canções conhecidas, de um intérprete conhecido. Somos um grupo de amigos se divertindo, tocando grandes canções atemporais”, diz Paulo Ricardo, que destaca a sua interpretação como um dos pontos fortes do disco. “Minha voz está mais grave, sem afetação. Isso foi um presente para mim.”
O cantor não se mostra preocupado com o ineditismo, nem em ser mais um a aderir à onda de releituras que invade a música brasileira.
“A indústria americana não se cansa de fazer tributos, de reciclar. A função das gravadoras, principalmente as multinacionais, é preservar a memória das canções. As novidades vêm do sub-pop, das gravadoras pequenas. O lado comercial está presente, mas não estamos numa indústria de parafusos ou sabão em pó. O sucesso é conseqüência da demanda, não de uma maquinação”, pondera.
O próximo trabalho de Paulo Ricardo deve ser de músicas inéditas – ele afirma ter mais de 40 guardadas – com ou sem o nome de PR-5. Mas o cantor já fala em um segundo volume de Acoustic Live. Mesmo não seja um projeto muito original, o disco é bom e as continuações serão bem-vindas.
por: julioPicos - jcbertosodelima@hotmail.comfonte: www.universomusical.com.br em 1/16/2006 |