Ele Não Sabia De Nada

Eduardo Dusek - A Arte de Eduardo Dusek - 2006

 

Ele não sabia de nada, no entanto pelo circo, ele era o melhor

Ninguém sabia se era bicho ou se era gente, só sabiam que cantava ave maria em lá menor

Debaixo de uma lona furada, ele era o trapezista, era o domador

Seria um palhaço ou um mágico (mandrake!)

Ou então uma bela dama? (sim, senhor!)

Tinha o corpo inteiro marcado pelas facas que o faquir do circo lhe atirou

Duas navalhadas nas pernas, dadas por um jacaré que um dia ele armou

E no entanto se fazia gente

E se quisesse, ele seria mau

Respeitando a velha dita que dita no ouvido

As razões do circo sempre abrir mão

E sendo todos, todos sendo ele

De bailarino ou de palhaço-mor

Pra mostrar que sensibilidade, meu irmão

O picadeiro para ser o melhor

É o picadeiro para ser o melhor

É o picadeiro para ser o maior