Biografia

Diogo Mulero, o Palmeira - Agudos, SP - 1918 - São Paulo, SP - 1967

Sebastião Alves da Cunha, o Biá - Coromandel, MG - 1927

Passaram a trabalhar juntos em 1952, depois que Palmeira desfez a dupla com Luizinho, e Biá, a dupla que fazia com Mariano. Iniciando a carreira fazendo uma excursão ao norte do Paraná. De volta a São Paulo, depois da excursão, foram contratados pela Rádio Piratininga, para fazer um programa semanal, toda terça feira às 21 horas. A dupla trabalhou acompanhada pelo sanfoneiro Alberto Calçada. Em 1953 gravaram na RCA Victor o primeiro disco, interpretando a valsa "Nossa senhora das graças", de Palmeira e Arlindo Pinto e o galope "Arroz a carretera", de Palmeira e José Paniguel. No mesmo ano gravaram a moda "Garimpeiro do Brasil", de Biá o cateretê "Não tenha medo", de Gauchito e Lourival dos Santos'e o arrasta-pé "Curimbatá", de Palmeira e Mário Zan. Ainda na mesma época, gravaram o primeiro tango, "A voz dos sinos", de J. M. Alves. Em seu primeiro ano de atuação, gravaram 10 discos de 78 rpm, numa média de quase um por mês. Gravaram além de composições próprias, outras, de conhecidos compositores como Teddy Vieira, a moda "Fazendeiro do norte", Nhô Pai, o valseado "Sombranceia grossa" e Nhô Basílio, o batuque "Piada do mutum". Em 1954 a dupla passou a se apresentar juntamente com o acordeonista Mário Zan em excursões por vários estados do país. No mesmo ano gravaram o cururu "Piraquara", de Teddy Vieira e Jaime Ramos, o cateretê "Saudade de quem eu amo", de Lourival dos Santos e Gauchito e a guarânia "Soldado de Centralina", versão de Palmeira para composição dos paraguaios H. Gimenez e F. Hernandez. A dupla manteve o mesmo ritmo de gravações do ano anterior, com lançamentos sucessivos, como a guarânia "Céu de Goiás", de Palmeira e Biá, e a toada "Couro de boi", de palmeira e Teddy Vieira, que além de grande sucesso, tornou-se um clássico da música sertaneja. Em 1955 lançaram mais um grande sucesso, a moda "Disco voador", de Palmeira. No mesmo ano gravaram a toada "Carmen Mirada", de Palmeira e Capitão Barduíno, homenagem a cantora falecida naquele ano nos Estados Unidos. Em 1956, gravaram a polca "Recordações de Mato Grosso", de Palmeira e Ariovaldo Pires e a toada "Menino pobre", de Roque José de Almeida e Teddy Vieira, com declamação do locutor Biguá. No mesmo ano, lançaram, também, pela RCA Victor o bolero "Boneca cobiçada", de Bolinha e Biá, o maior êxito da dupla com mais de 500 mil cópias vendidas e que se tornou um clássico da MPB, sendo regravado inúmeras vezes, por diversos artistas, entre os quais, Carlos Galhardo. "Boneca cobiçada" virou filme com o mesmo nome e tornou-se um marco da música sertaneja, ao incluir novas temáticas, além de novos arranjos e instrumentos. Em seguida, Palmeira foi promovido a diretor artístico da RCA. Em 1957 gravaram a guarânia "Quem é você?", de Biá e Bolinha, o bolero "Calúnia", de Palmeira e Biá e o tango brasileiro "Dama desconhecida", de Bolinha, cantando junto com a cantora Neusa Toledo. Gravaram também o fox "Beijei...gostei", do compositor Jair Gonçalves. Em 1958 lançaram o bolero "Se ela voltasse", de Biá e Bolinha e o samba canção "Flor do lodo", de Biá e Goiá. Por essa época, o repertório da dupla se compunha de inúmeros ritmos mais urbanizados, com a utilização de temas que podem ser incluídos no que atrualmente se chama de música romântica, muito utilizada pelas duplas sertanejas do final do século vinte. Dentro dessa tendência gravaram no mesmo período, o calipso "Melodia de amor", de L. Johns e H. Salvador, com versão de Palmeira e o calipso mambo "Dois corações", de Palmeira e Biá. Pouco depois, após cinco anos na RCA Victor, a dupla passou a gravar na Chantecler, onde lançou o baião "A volta da morena", de Palmeira e Biá e o bolero "Só para você", de Mário Zan e Messias Garcia. Em 1959 lançaram outro grande sucesso, o rasqueado "Nova flor", de Palmeira e Mário Zan, que conheceu dezenas de regravações, inclusive versões no exterior, sendo conhecida no México como "Os homens não devem chorar". Em 1961 gravaram seu último disco na Sertanejo, interpretando de Palmeira o rasqueado "Decisão cruel" e de Manos Hadjidakis e G. Emirzas, com versão de Romeu Nunes, o baião "cantinho do coração". Ficaram conhecidos como "Os coronéis da música sertaneja".